Todos os seres humanos possuem essa linguagem virtualmente idêntica, e outros animais - sem limitar-se aos primatas ou mamíferos, animais em geral - também têm sua comunicação regida por princípios semelhantes (expandir o corpo para demostrar poder, contraí-lo para demostrar insegurança ou subordinação), e todos, inicialmente, utilizam essa linguagem não verbal sem hesitar, em quase todos os momentos.
Essas duas são as principais diferenças entre a comunicação verbal e não verbal. A não verbal é universal e natural - ou seja, todos os seres humanos são capazes de comunicar-se com ela, e os fazem naturalmente, sendo muito mais difícil de se suprimir ou 'esconder', enquanto a verbal é bem mais limitada e artificial - ou seja, é necessário aprendê-la e é muito fácil de ser manipulada: Você escolhe o que quer ou não dizer, e pode dizer algo que não é verdadeiro sem grandes esforços.
Sendo universal e muito mais difícil de se controlar, a linguagem não verbal torna-se um meio muito mais poderoso de influência. Um exemplo simples: Você está andando na rua distraído, quando alguém apóia a mão pesadamente em suas costas. Você vira e se depara com um homem com a coluna ereta e cabeça erguida, rosto sério, mantendo contato visual ininterrupto com você. Ele pergunta, com a voz alta e firme: "Que horas são?"
Você muito provavelmente se sentiria intimidado nessa situação, devido exclusivamente a sinais não verbais, lembrando que o tom de voz e a altura também estão incluidos nessa comunicação. Aliás, muito provavelmente você imaginou um homem robusto, talvez carrancudo, apesar da unica descrição do personagem ter sido "homem". Voltemos a nossa rua imaginária, onde passaremos por outra situação:
Você novamente está andando distraído na rua, quando uma voz tremida diz "Ei!" atrás de você. Você ignora, supondo que chama outra pessoa, mas ela insiste: "Ei!". Você vira e se depara com um homem com a os ombros para frente e peito para dentro, a cabeça meio abaixada. Ele olha pra você por um instante, depois para o chão, e torna a olhar pra você, relutante. "Me dá sua carteira!", ele diz, sem muita convicção.
Nessa segunda situação, você provavelmente se sentiria bastante desconfortável, mas bem menos intimidado. Provavelmente ignoraria o homem, visto que não oferecia nenhuma ameaça aparente e não estava sequer confiante. Suponho que, ao ler essa passagem, tenha imaginado um homem muito menos robusto, talvez até franzino, mas certamente bem menos assustador. Qualquer um, sem instrução alguma sobre a leitura da linguagem corporal, provavelmente também o faria, sem perceber.
A postura tem um imenso poder de influenciar as pessoas à sua volta apenas com a sua presença. Ao praticar certa postura o suficiente, ela torna-se parte da sua natureza, e você torna-se capaz de naturalmente exercer o efeito que quiser sobre os outros - seja negativo ou positivo. Mas a sua postura também exerce um efeito que considero ainda mais poderoso, não nos outros, mas em si próprio.
Sabemos, é claro, que sua mente e suas emoções exercem grande impacto sobre seu corpo. Por exemplo, quando você se lembra vividamente de um momento particularmente feliz de sua vida, como uma viagem para o exterior, certo momento com uma pessoa amada ou o dia em que ganhou num sorteio um estoque para o resto da vida de sorvete de limão, são liberados no seu corpo neurotransmissores como dopamina e endorfina, que lhe dão uma sensação de felicidade e prazer, e muito provavelmente você sorrirá - reações do seu corpo à um estímulo da mente, sem um elemento físico sequer as causando (Exceto, no último caso, cômodos e mais cômodos cheios até o teto de potes de sorvete)
O que muitos não consideramos é que a recíproca é verdadeira: O seu corpo influencia sua mente tanto quanto o contrário. Sim, sua postura tem um impacto incrível sobre sua mente. Esse é um assunto muito estudado na atualidade, na forma de Terapia Cognitiva Comportamental. A influência entre a mente e o corpo não ocorre exclusivamente de dentro para fora, mas muitas vezes de fora para dentro também. Sorrir com frequência, mesmo que forçadamente, faz com que você se sinta mais feliz ao longo do tempo, e o mesmo funciona para todas as outras manifestações de linguagem corporal. Se você é inseguro, provavelmente tem o hábito de ficar encurvado, talvez com os braços cruzados, ocupando o mínimo de espaço possível. O simples ato de estufar o peito, e deixar que seus braços e pernas ocupem espaço confortavelmente fará com que você se sinta bem mais confiante ao longo do tempo - mesmo que possa parecer estranho ou constrangedor inicialmente.
Exceto pelas demonstrações de poder e confiança - que, em excesso, estimulam os outros de modo contrário, fazendo com que sintam-se fracos e inseguros -, as emoções costumam ser contagiantes. Repare num bom ator ou atriz: O ato de expressarem tão bem as emoções de sua personagem é forte o suficiente para influenciar uma enorme plateia com essas emoções. Quando se é carismático, ou seja, expressa bem suas emoções, é inevitável que você e aqueles a sua volta sejam influenciados pelo modo como age.
Repare nas pessoas mais carismáticas do seu círculo social: Elas geralmente são os núcleos das emoções de um grupo. As emoções daqueles que são mais expressivos geralmente ditam quais serão as dos menos. Uma pessoa mais reservada estar chateada raramente tem um impacto nas emoções dos outros membros de um grupo, mas se alguém expressivo está desapontado com algo, logo todos os outros acabam se deixando influenciar, mesmo que não percebam.
A chave para a influência é ser capaz de expressar as emoções certas e fazê-lo bem. Em geral, o ideal é demonstrar-se confiante, porém calmo, divertido e amigável, ocupar espaço mas não em excesso, sorrir e mostrar-se interessado nas outras pessoas. Isso influenciará você positivamente - fazendo com que aos poucos, sinta-se de fato confiante, calmo, divertido e amigável - e influenciará os outros a sua volta positivamente também, fazendo com que eles mesmos relaxem, divirtam-se mais e sejam mais amigáveis: Uma simples mudança na postura torna as interações mais agradáveis para todos.
É claro, há exceções para a regra. A influência negativa pode ser útil em certas situações: Pode haver momentos em que é necessário intimidar alguém ou um grupo - para proteger-se de uma possível ameaça - ou desanimá-los, para que abandonem certa ideia que pode parecer boa no momento. Talvez, em algum momento, seja eficaz inflamar a raiva em um grupos de pessoas, para que superem o medo e se voltem contra algum tipo de opressão. Você não conseguirá esse tipo de influência com a postura agradável que é normalmente recomendada - é necessário que se demonstre essas emoções você mesmo.
Por último, ao exercer qualquer tipo de influência, é necessário manter em mente que seres humanos são muito menos racionais do que você pode pensar, e tomam decisões baseando-se em emoções com uma frequência alarmante, tornando a influência emocional um método de persuasão várias vezes mais eficaz do que a pura lógica. O ideal é que se há uma decisão a ser feita, você escolha utilizando a lógica o melhor rumo a ser tomado, e influencie os outros a seguir o mesmo através de emoções - evitando que seu orgulho e teimosia os façam insistir numa opção que evidentemente não é a melhor.
O rebanho busca os grandes, não pela sua causa
mas por sua influência; e os grandes os acolhem por
vaidade ou necessidade.
-Napoleão Bonaparte
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